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Crescimento do e-commerce: uma das principais arenas de competição até 2040

O crescimento do e-commerce no mundo já é uma realidade bem estabelecida. Sua ascensão foi alimentada pela disseminação do acesso à internet de banda larga, com crescimento exponencial das formas de acessar a internet (especialmente smartphones), além de inovações e velocidade na entrega de produtos (última milha), incluindo melhorias significativas em armazenagem sob demanda (fulfillment), entrega de última milha em poucos minutos ou horas em grandes centros, aumento da automação dos processos internos e externos das empresas de e-commerce, sistemas avançados para gerir toda a jornada (desde a pré-venda até o pós-venda) e melhoria significativa nos métodos de pagamento, antifraude, sistemas financeiros e de conciliação.

O comércio eletrônico é, indubitavelmente, uma das arenas de competição mundial com os melhores resultados há bastante tempo, em contraponto, por exemplo, ao varejo tradicional, com notícias de fechamentos de lojas físicas, demissões em massa, recuperação judicial e falências mundo afora.

Crescimento do e-commerce em números

Em 2022, o comércio eletrônico foi responsável por 20% de um mercado de varejo global de US$ 17 trilhões (US$ 3,4 trilhões oriundos das transações online), deixando bastante espaço para expansão adicional tanto em termos de geografia quanto em categorias de produtos ainda não exploradas, afirmam estudos da McKinsey.

Os mercados online na China, na América Latina e em outras economias em desenvolvimento continuarão a crescer à medida que a digitalização dessas regiões aumenta, especialmente em localidades da América Latina em que a população ainda convive com dificuldades nas telecomunicações ou em que o 5G ainda não é uma realidade. Em março de 2024, no Brasil, um estudo detectou que, dos 706 municípios em que o 5G havia sido implementado, 212 ainda aguardavam o licenciamento das antenas para iniciar a operação.

Novas categorias e o papel do Social Commerce

No que diz respeito às categorias vendidas no e-commerce, muitas, como Moda & Acessórios, Linha Branca, Eletroeletrônicos e Informática, estão muito consolidadas e são bastante representativas. No entanto, espera-se que o comércio eletrônico continue a se expandir para novas categorias importantes de produtos. O Social Commerce, inclusive, desempenhará um papel cada dia mais relevante neste contexto.

Projeções para o crescimento do e-commerce até 2040

Ainda falando sobre o crescimento do e-commerce, vale olhar para o dimensionamento geral do setor. Segundo o Euromonitor International Passport: Varejo, E-Commerce, edição 2023, há um recorte interessante para as categorias de bens de consumo e e-commerce varejista, como mercadorias em geral, vestuário e eletrodomésticos. As receitas globais desse recorte atingiram cerca de US$ 4 trilhões em 2022 e podem crescer para entre US$ 14 trilhões e US$ 20 trilhões até 2040, um CAGR (Compound Annual Growth Rate, ou Taxa Anual de Crescimento Composto) entre 7% e 9%. Cabe lembrar que essa é a média do estudo, que leva em consideração países mais maduros no e-commerce, como China e Estados Unidos, e países que ainda apresentam grandes possibilidades de crescimento.

Diante dos números apresentados no estudo, é possível compreender que o comércio eletrônico responde por um quinto (20%) de todas as receitas do varejo global e que essa participação pode chegar a entre 27% e 38% até 2040, com o avanço de US$ 3,4 trilhões em 2022 para US$ 11 trilhões no cenário mais conservador (27%) ou US$ 16 trilhões no cenário mais otimista (38%), demonstrando o grau de maturidade que o e-commerce ainda pode atingir dentro de 15 anos.

Plataformas de desconto: Pinduoduo, Temu e Shein

Em um exemplo prático dessas possibilidades, as plataformas de desconto e preço baixo também estão mostrando sucesso. Mercados online como o Pinduoduo estão crescendo rapidamente na China por meio de plataformas de comércio de valor, que oferecem preços acessíveis e uma experiência de compra semelhante a um jogo (gamificação). Esse modelo também ganhou popularidade globalmente, pois empresas como Temu e Shein alavancaram suas fortes cadeias de suprimentos na China, escalando rapidamente nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina. No Brasil, mesmo com a regulamentação das compras de origem internacional, que onerou significativamente essas compras, ainda há um movimento de crescimento dessas plataformas, dados os preços oferecidos aos consumidores, que continuam competitivos na comparação com o mercado local, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos.

Conversational Commerce e novas formas de comprar

Não obstante, considerando o comércio eletrônico como uma das principais arenas de competição e bons resultados globais, temos o Conversational Commerce expandindo e ganhando forma por conta da facilidade, comodidade e conveniência dessa modalidade de compras, com taxas de conversão muito superiores às do e-commerce tradicional. Se juntarmos no mesmo cesto o e-commerce tradicional, os marketplaces, o Social Commerce, o Conversational Commerce, o potencial da IA generativa e o uso amplificado de aplicativos de encontros, de entretenimento (música, vídeos, filmes, games, séries, apostas online etc.), de conversas, dentre outros que estão cada dia mais presentes no dia a dia das pessoas, em um momento geracional transformador dos próximos 15 anos (de 2025 a 2040), o potencial de crescimento das vendas online supera em muito as expectativas do estudo.

O dinamismo que o e-commerce impôs ao mercado

Outro ponto a considerar é o dinamismo que o comércio eletrônico impôs aos demais mercados. Em um exemplo simplista, Amazon, Alibaba e JD.com criam novos cenários de vendas e entram em mercados com muita velocidade e apetite. O que dizer do Mercado Livre na América Latina? Com um planejamento muito dinâmico e uma execução excelente, implementou centros de distribuição em diversas localidades, criou um modelo de entregas para não depender mais dos Correios, que hoje envolve inclusive aviões, e passou a entregar as mercadorias no mesmo dia em grandes centros urbanos. O que antes só era possível para pequenos cases de sucesso do e-commerce brasileiro se tornou realidade em pouquíssimo tempo para uma plataforma gigante da América Latina, fazendo com que seus concorrentes seguissem (ou, pelo menos, tentassem seguir) o mesmo caminho.

Ainda no que tange ao dinamismo, inúmeras indústrias quebraram silos e elos da clássica cadeia de abastecimento (supply chain) para vender diretamente aos consumidores (D2C). Nesse contexto, somam-se ao modelo as vendas influenciadas. Se em um primeiro momento os influenciadores, de todos os tamanhos de público e nos mais diversos perfis, representavam marcas, indústrias e produtos, em pouco tempo eles começaram a ter suas marcas próprias, vendendo da indústria até seus seguidores, em volumes que ainda estamos estudando e aprendendo. Isso prova que o dinamismo e as mudanças constantes nos cenários criam oportunidades ímpares e reforçam que o e-commerce é uma arena de competição e bons resultados, com potencial incrível para as empresas e segmentos que se mostram dinâmicos.

Superapps e ecossistemas

Reforçando o conceito de dinamismo e as oportunidades inerentes a ele, podemos citar dois exemplos.

A China popularizou o conceito de superapp com o advento do WeChat, que permite aos usuários postar e consumir conteúdos, pagar inclusive em estabelecimentos físicos, comprar online etc.

O Mercado Livre criou uma opção de meio de pagamento integrada à sua plataforma de vendas, que auxilia consumidores e vendedores (sellers) e pode ser utilizada fora da sua plataforma proprietária. Por ser uma instituição financeira, também oferece empréstimos e cartões de crédito para consumidores e sellers, criando um ecossistema a partir de seu superapp.

Ainda pensando em ecossistemas, precisamos considerar o potencial da Amazon com soluções como Prime Video, Amazon Music e Alexa, que tornam sua presença no dia a dia das pessoas mais evidente e frequente. E se a Alexa decidisse se oferecer para rastrear a evolução de preços dos produtos que você quer comprar na Black Friday e te mandar um alerta quando o produto desejado chegar ao preço que você gostaria? Imagina o potencial embarcado nessa solução, que já está dentro das casas e escritórios de tantas pessoas mundo afora.

Perguntas sobre o futuro do crescimento do e-commerce

Para finalizarmos este artigo, vale refletir:

Quais são os próximos mercados promissores para o comércio eletrônico, tendo em vista que até mercados tidos como mais difíceis, como saúde e educação a distância, já atuam digitalmente?

Quais impactos não triviais (além de ajudar a cadastrar produtos e catálogos) podemos esperar da IA generativa para acelerar ainda mais a expansão do e-commerce globalmente?

Haverá restrições que impeçam o crescimento do e-commerce globalmente nos próximos 15 anos? Se sim, serão oriundas de regulamentações locais? De limitações logísticas? De limitações econômicas de consumo?

Sendo o Omnichannel, ainda que em poucos dos seus mais de 20 macroprocessos possíveis, relevante para muitos consumidores (a exemplo do compre online e retire em uma loja física ou em um locker), como a percepção de frictionless channel influenciará as melhorias nas jornadas de consumo e tornará as vendas online mais expressivas?

Diante do cenário de muitas mudanças na lógica de consumo, que apostas devemos fazer e que atitudes podemos tomar para assumirmos a vanguarda de nossos respectivos segmentos?

Sendo o custo marginal de construir novas tecnologias cada dia menor, especialmente se comparado aos primórdios das vendas online, 30 anos atrás, que novas tecnologias podemos esperar, construir ou financiar para que o crescimento do e-commerce até 2040 ultrapasse os patamares do estudo apresentado neste artigo?

O ChatGPT, ou alguma outra IA, substituirá o uso das buscas no Google e modificará a forma como as empresas de e-commerce investem em Ads?

Torço para que este artigo te traga muitas boas reflexões e incentivos para seguir investindo no que ainda está por vir no comércio eletrônico.

Sobre o autor:
Samuel Gonsales, sócio da idworks, é especialista em omnichannel, sistemas de gestão (ERP) e e-commerce, com mais de 27 anos de experiência no mercado.

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